domingo, 25 de janeiro de 2026


                      o amor é traiçoeiro



Um minuto e já não é amor.

Esquecemos de tudo, nos machucando mutuamente.

Destruindo o que aprendemos.

O coração devotado clama por ser enganado.

Ninguém sabe quem é quem.

Você me chama de ignorante,

ignora o quanto tenho sido paciente,

abusa por eu ser tão carente.

Qual o futuro desse amor tão dependente

do afeto que você nem sente ?


No fim das contas, tornei-me aquilo

que nunca quis ser.

Não muito diferente de você.

Egoísta, mentiroso, um farsante.

Que finge ser o que não é,

para não ficar em desvantagem.

O amor é traiçoeiro, só é fiel ao dinheiro.




quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

 


                             carência não é amor


Há uma confusão silenciosa, porém devastadora, que atravessa a experiência afetiva humana, a tendência a chamar de amor aquilo que, em essência, é apenas necessidade. Amar e precisar não são sinônimos, embora frequentemente se apresentem com a mesma linguagem, os mesmos gestos e até as mesmas lágrimas. O problema é que a carência sabe imitar o amor com perfeição suficiente para enganar até os mais atentos.


A carência nasce de uma falta interna não elaborada. Ela não busca o outro como alteridade, mas como remendo. Não deseja o encontro, deseja o alívio. Quando alguém ama por carência, não se dirige ao outro, dirige-se ao próprio vazio, esperando que o outro o preencha. O amado torna-se função, instrumento, suporte emocional, quase um objeto terapêutico improvisado. Não é visto como é, mas como aquilo que pode oferecer.


O amor, ao contrário, pressupõe inteireza relativa. Não perfeição, mas consciência da própria incompletude. Quem ama não exige que o outro salve, cure ou complete, aceita que o outro acompanhe. O amor verdadeiro nasce quando o eu já não está em estado de desespero, quando a presença do outro é desejada, não necessária para sobreviver. Amar é escolher, precisar é agarrar-se.


Psicologicamente, a carência é ansiosa e possessiva. Ela teme a ausência porque não sabe sustentar o silêncio interior. Por isso confunde intensidade com profundidade, dependência com vínculo, controle com cuidado. Quanto mais frágil o eu, mais absolutiza o outro. E quanto mais absolutiza, mais sufoca. O amor, por sua vez, tolera a distância, respeita a autonomia e não transforma o afeto em contrato de sobrevivência.


Há também um traço ético nessa distinção. Amar alguém implica reconhecê-lo como fim em si mesmo. Precisar de alguém, quando não elaborado, tende a reduzi-lo a meio. A carência não pergunta “quem você é?”, pergunta “o que você pode fazer por mim?”. Por isso tantas relações adoecem, não por falta de sentimento, mas por excesso de expectativa.


Confundir carência com amor é perigoso porque produz vínculos frágeis, embora intensos. São relações inflamadas, mas pouco luminosas. Quando o outro falha, se afasta ou simplesmente se mostra humano, a estrutura desmorona, pois não era amor que sustentava o laço, era a urgência.


Filtrar o humano, aqui, é aprender a suportar a própria solidão sem transformá-la em chantagem afetiva. É compreender que o amor não nasce da escassez desesperada, mas da capacidade de estar consigo sem horror. Só quem não precisa desesperadamente pode amar de fato. O resto é pedido de socorro disfarçado de paixão.


Oliver Harden

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026


                      amor bandido



Mudei para poder te amar.

Não foi algo que se possa romantizar.

Ao contrário, foi tudo o oposto do que eu imaginava.

Custei a entender que te amar não cabia em quem eu era.

Te amar não respeitou minhas feridas, meus traumas.

Me obrigou a te aceitar do jeito que és. 

Mesmo com parte de mim gritando

que eu estava sacrificando minha identidade.

Precisei me reinventar, ficar vulnerável

a teus caprichos e desatinos.

Pensei mil vezes em desistir,

mas algo dentro de mim me obrigava a ficar.

Mudei, não para merecer o teu amor bandido,

mas para abandonar as versões em que amei

só pela metade.

Mesmo comendo o pão que o diabo amassou.

Mudei para poder te amar por inteiro.

Ambos com defeitos, mas mais honestos,

verdadeiros.















 


               o amor que me mudou



Mudei por amor. E não falo da mudança bonita, publicável, que fica bem em frases curtas. Falo da mudança que dói, da que desmonta, da que tira o chão antes de me dar outro qualquer, da que não pede licença e não pergunta se é conveniente. Mudei porque amar alguém de verdade não cabia em quem eu era, não cabia nos meus automatismos, nas minhas defesas, nos meus atalhos. A verdade é que o amor não negociou com as minhas desculpas, não se acomodou às minhas feridas, não se moldou às minhas fugas. Ficou. E ao ficar, expôs tudo o que em mim não era inteiro. 

Efetivamente, mudei porque percebi que não podia amar e continuar a proteger-me da mesma forma, que não dava para tocar em alguém e manter intactas as minhas muralhas, que não podia prometer presença e continuar a desaparecer por dentro. O amor não me pediu para ser melhor. Obrigou-me a ser verdadeiro. E isso é muito mais exigente, porque houve partes de mim que resistiram, partes que queriam ficar como estavam, partes que gritavam que eu estava a perder a minha identidade. 

Mas eu não estava a perder, mas a largar versões minhas que já não serviam, que só existiam para sobreviver e não para amar. Mudei porque amar alguém de verdade desloca as prioridades, muda o eixo, reorganiza o centro, deixa de ser sobre ganhar, provar, controlar, e passa a ser sobre não ferir, não fugir, não mentir. E isso mexe em tudo. No corpo. No ritmo. Na forma como se responde. Na forma como se fica. 

Com efeito, o amor não me transformou num herói. Tornou-me vulnerável. E esta foi provavelmente a maior mudança, porque tudo em mim tinha sido treinado para aguentar, não para proteger. Para sustentar, não para pedir. Para estar forte, não para estar aberto. Amar ensinou-me a falhar sem desaparecer, a tremer sem fugir, a ficar mesmo quando sentia uma enorme vontade de partir. 

Mudei porque o amor não aceita versões parciais, não aceita nenhuma presença pela metade, não aceita uma alma em fuga. O amor exige inteireza, e a inteireza cobra caro. Cobra escolhas. Cobra cortes. Cobra silêncios. Cobra a coragem de deixar cair quem se é para dar espaço a quem se pode ser. 

Não mudei para merecer amor. Mudei porque o amor mostrou-me que eu podia ser ainda mais verdadeiro do que tinha sido até ali. E eu aceitei. Simples assim.


José Micard Teixeira


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026


                     chifre trocado


Ela diz que me ama

Assim como chama todo mundo de amor

Diz que só dá para mim

mas está cheia de contatinhos no zap

Se brigo, questiono, ameaça ir embora.

Fico na minha,

pois como a safada mesmo diz,

melhor compartilhar do que ficar sem.


Mulher gostosa é poderosa.

Tem quem quer, na hora que quiser.

Besteira ignorar, se achar absoluto na parada.

O jeito é relaxar, dançar conforme a música.

E dar o troco na mesma moeda.

Chifre trocado não dói.


* letra de funk


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026


                    armadilhas

                 

Ai de mim, sou tão pouco para quem exige tanto. 

Aprendi a recomeçar mas não a evitar os enganos.

Perdido em armadilhas que eu mesmo crio, 

meus amores nunca foram meus.

Depois de um tempo, tudo perde a graça.

O próprio vício da beleza um dia acaba.

Só a falta do amor permanece.


Fiz de tudo por você, mas não adiantou.

A gente se gosta, se curte, mas queremos coisa diferentes.

Insisto de teimoso, querendo levar à sério 

quem só serve

para uma boa trepada.






                         aprendiz de cafajeste   


Verdade seja dita.

Mulher não sente atração por homem bonzinho 

e certinho.

Que não se impõe.

Que se deixa desrespeitar, humilhar.

Não demora a virar corno.

É o bad boy, o cafajeste, que mexe com elas.

Se for todo tatuado e funkeiro, melhor ainda.

A natureza feminina tende a preferir o que se destaca,

o abusado, 

não importa se um cafajeste sem futuro.

O bonzinho, o certinho, só serve para bancar, suprir.

É uma disputa perdida para quem é visto por elas

como chato e irritante.

Mas como toda regra tem exceção, vai de você virar

esse jogo. 

Não se rebaixe, não aceite menos do que merece.

Ou aprende a ser cafajeste. 









Postagem em destaque

              a mulher séria Enquanto você estiver namorando com ela, sempre haverá homens por perto. Bajulação, tentativas, mensagens, olha...