domingo, 24 de maio de 2026


                          

                                  partilha





Sou íntimo das coisas desimportantes, das coisas

descartadas, das estrelas que não luzem.

Afeito as grotas, gretas, ruelas, 

caminho entre ausências e cômodos desocupados.

Mas os desejos não cessam. 

Refestelo-me com os prazeres mais simples, em meio 

ao rebanho que apascenta o pastor.

Acalento o dom de viver sem expectativas,

à força da mudez dos sonhos.

Arrimo de suspiros, arrepios,

caminhos de arrebol.

Sismo de andar à beira do desvario, eventualmente

enlouquecer, a boca em ruínas, os olhos

cegos de evidências.

No roçado da vida, partilho o mundo

impregnado de miséria e tristeza.

Para ao fim e ao cabo, refazer-me no amor

que com amor se paga.







Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

                                                             partilha Sou íntimo das coisas desimportantes, das coisas descartadas, das estr...