segunda-feira, 15 de junho de 2026


                        o avesso do amor



Dessa vez não nos abraçamos,

reconciliados,

como num melodrama barato.

Dessa vez não houve palavras de arrependimento,

nem o perdão perfeito.

Mas sim um silêncio honesto,

uma espécie de cansaço

do enredo de sempre.

Nenhum beijo na face, apenas 

o som da chave girando,

destrancando a porta que já estava

há muito aberta.


Aceitamos o fim sem o peso do drama

ou das promessas rasas.

Assumimos, enfim, que o amor também

cansa de tentar 

consertar o que já nasceu quebrado.

Dessa vez, sem o barulho de portas batendo,

nem mesmo tentativas de justificar o espaço

vazio que entre nós se formou.

Descobrimos, menos mal, que o avesso do amor

não é o ódio, 

apenas o silêncio eloquente

de quem não precisa mais justificar-se.

Nem tampouco explicar os motivos

de não ter dado certo.

O fim nem sempre precisa de culpas

e culpados.

É apenas o fim.








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