o avesso do amor
Dessa vez não nos abraçamos,
como numa novela.
Não houve arrependimento,
nem perdão perfeito.
Mas sim um silêncio honesto,
uma espécie de cansaço
do enredo de sempre.
Nenhum beijo na face, apenas
o som da chave girando,
destrancando a porta que já estava
há muito aberta.
Aceitamos o fim sem o peso do drama
ou das promessas rasas.
Assumimos, enfim, que o amor também
cansa de tentar consertar o que já nasceu quebrado.
Dessa vez, sem o barulho de portas batendo,
nem mesmo palavras para justificar o espaço
vazio que entre nós se formou.
Descobrimos que o avesso do amor
não é o ódio, apenas o silêncio eloquente
de quem não precisa mais justificar-se.
Nem tampouco explicar os motivos
de não ter dado certo.
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