segunda-feira, 20 de julho de 2026


                              insônia



A madrugada se arrasta.

Na distraída escuridão noturna,

vaga memória de pios e arrepios.

Corujas, galos, patas de cavalo ecoando

no paralelepípedo. 


Na antiga noite em que me afundo,

estrelas e pássaros ainda dormem.

Alguns sortudos acasalam.

Insone, não durmo, nem acasalo.

Na imensa noite de abandono,

o amor sucumbe. 


Na madrugada que se arrasta

Na vida que se engasta

Nas coisas que não desenroscam

No sono que não chega

Sonhados todos os sonhos

No meu abismo despenquei.

Da minha antiga vida, despertei.

 

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