abençoado ou amaldiçoado
Abençoado ou amaldiçoado,
o amor cumpre sua tarefa com louvor.
Aventura-se por becos e vielas, consumindo-se
entre o prazer e o desencanto.
O amor não bate a porta, arromba.
Não pede licença, invade.
Vai se achegando, sem alarde.
Confunde afeto com paixão.
Não distingue o santo do ladrão.
Chega, senta, e fica.
Às vezes por pouco tempo.
Às vezes por uma vida.
Esgotadas as tentativas,
sai como entrou.
Sem despedida.
Quem fica é quem inventa justificativas.
Porque o amor não se explica.
Abençoado ou amaldiçoado,
não devolve o tempo tomado.
Entra e sai de cena, cedo ou tarde demais.
Deixando cada um com seus ais.
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