sexta-feira, 2 de outubro de 2026


                                                      nenhum de nós



                             


Acordo.

Eu e você.

E nenhum de nós sabe por quê.

Existimos, e só.

Sem respostas, sem convicção.

É tudo suposição.


Os dias se parecem.

Nasci sem pedir, e vou morrer 

do mesmo jeito.

Carrego um nome que não escolhi.

Num corpo que envelhece sem parar.

Cada escolha que faço,

fecha mil portas que nunca vou abrir.


E ainda assim sigo.

Não porque quero, mas porque sou obrigado.

Toda manhã é um recomeço que eu 

não pedi para ter.

Lembro dos que já se foram e penso :

é isso que sobra, de tanto querer ser alguém.

Um nome numa lápide.

Ou nem isso. 


Esse é o peso de ser.

Viver sem saber por quê.

Falamos de Deus quanto temos medo.

Esquecemos dele quando está tudo bem.

Cair, levantar, recomeçar : e se no fim 

não houver nada,

que valha a pena ter sido ?


Acordo.

Eu e você.

E nenhum de nós sabe por quê...





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