de crachá e tudo mais
Podem me chamar de otário.
Vai ver, sou mesmo.
Por acreditar nas pessoas.
Por ter bom coração.
Acreditar em promessa de palanque.
Votar em ladrão.
Por dar a mão a quem me voltou as costas.
Podem me chamar de otário que não ligo.
Vai ver, sou mesmo.
Por ser sempre o último a saber.
E o primeiro a pagar a conta.
Aprontam comigo e ainda sou capaz
de sorrir no fim do dia.
Podem me chamar de otário.
Com direito a crachá e tudo mais.
Eu confio, perco, e dou risada.
E amanhã volto disposto a tentar de novo.
Já me chamaram de ingênuo, bobo, sonhador,
mas é curioso, continuo de pé.
Já quem me enganou, passou a perna,
carrega o peso do que fez.
Dorme de olho aberto, com medo de levar o troco.
E eu, que fiz papel de bobo, posso olhar no espelho
sem desviar.
Se isso é ser otário, então fica combinado.
Sigo assim, de crachá e meio torto, mas honrado.
E a vocês, espertalhões, meu muito obrigado.
Pelo tanto que me ensinaram.
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