sexta-feira, 2 de outubro de 2026


                             de crachá e tudo mais



Podem me chamar de otário.

Vai ver, sou mesmo.

Por acreditar nas pessoas.

Por ter bom coração.

Acreditar em promessa de palanque.

Votar em ladrão. 

Por dar a mão a quem me voltou as costas.


Podem me chamar de otário que não ligo.

Vai ver, sou mesmo.

Por ser sempre o último a saber.

E o primeiro a pagar a conta.

Aprontam comigo e ainda sou capaz

de sorrir no fim do dia.

Podem me chamar de otário.

Com direito a crachá e tudo mais.

Eu confio, perco, e dou risada.

E amanhã volto disposto a tentar de novo.


Já me chamaram de ingênuo, bobo, sonhador,

mas é curioso, continuo de pé.

Já quem me enganou, passou a perna, 

carrega o peso do que fez.

Dorme de olho aberto, com medo de levar o troco.

E eu, que fiz papel de bobo, posso olhar no espelho

sem desviar.


Se isso é ser otário, então fica combinado.

Sigo assim, de crachá e meio torto, mas honrado.

E a vocês, espertalhões, meu muito obrigado.

Pelo tanto que me ensinaram.












 

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