terça-feira, 28 de maio de 2019




                             a musa improvável






Na noite infinita, a paz profunda e maldita.
A alma reverberando em dúbios e temerários sonhos.
A chama outra vez ardendo.

Oh, minha cara, que tão voluptuosamente chegaste,
e um bordão de esperança entoais,
pede entrada em meus depauperados umbrais.
As delícias do gozo outra vez deixando entrever.

Eis que o tempo de esquivanças e súplicas amainou.
Benvindo o novo amor que chega. 
Louco ? Insalubre ? Pois que assim seja !
Contraditório e imenso, hei de a carga suportar.
Tornei-me invencível. 
O amor que um dia tive ramificou-se ao infinito.
Uma cota de prazer é o que basta.

Benvinda, pois, musa improvável, de um tempo 
improvável e incerto.
A qual mais uma vez me entrego.
Tanto faz se a mim mesmo contradigo.
Afinal, nada pode ser perdido
se não for vivido.









segunda-feira, 27 de maio de 2019


            

       os mentirosos e os donos da verdade





Uma pesquisa recente feita no Reino Unido apurou que as pessoas mentem ou distorcem mais da metade das coisas que falam durante um único dia. Já pensou ? 
Fiquei curioso e pensei em fazer um teste comigo mesmo, retroativamente, é claro, mas desisti porque eu, sem querer sem melhor que ninguém, cheguei num estágio da vida em que praticamente não minto. 
Não só porque vivo praticamente sozinho, e com as poucas pessoas com que me relaciono as conversas são quase só sobre banalidades, mas, sobretudo, porque não preciso mais mentir. Não tenho mais razões para mentir. Afora o fato de estar mentindo agora...
O problema é que a mentira em si não é o maior problema, se me perdoam a redundância. De certa forma, em certa dose, mentiras são necessárias, não há relação que se sustente sem elas. Outro dia ainda revi um filme antigo do Jim Carrey, talvez o melhor dele, "O Mentiroso", em que seu filhinho pediu a fada madrinha, como presente de aniversário, que o pai, mentiroso e embromador de carteirinha, como todo advogado que se preze, passasse ao menos um dia sem falar mentiras. Imagine, um advogado, em pleno tribunal, ter que falar só a verdade... Hilário. Acabou sendo preso por desacato...
Mas acabou servindo de lição, e o final foi bem bacana, fodido mas reconquistando a confiança e o respeito não só do filho como da própria ex... que inveja. 
Mas voltando ao tema, mentir, sobretudo mentiras sinceras, bem intencionadas, são a chave de todos os relacionamentos bem sucedidos. Sem ironia, sem falso moralismo. No mínimo, omitir. O que não deixa de ser uma mentira.  Encrenca bem maior, quase sempre incontornável, é a distorção dos fatos, da realidade, às vezes até não por má fé, desonestidade intelectual, mas limitação mesmo. 
São os chamados donos da verdade, pessoas convictas e intransigentes em seus pontos de vista, na maneira de encarar as coisas, que simplesmente rejeitam a versão, a verdade dos outros. 
É mais ou menos como bater de frente num muro. Pode-se dialogar, argumentar, apelar para tudo, mas quando a outra parte bloqueia, se nega a dar crédito a qualquer outra coisa diferente do que pensa, a possibilidade de entendimento - e de convívio duradouro - é praticamente nula. Ainda mais àquelas que apelam para a religião e preceitos bíblicos para corroborar suas fantasiosas e monolíticas teses. 
A mesma pesquisa chegou a conclusão de que a humanidade, grosso modo, se resume a três categorias : a dos que não sabem nada e sabem disso; a dos que não sabem e pensam que sabem (a grande maioria); e a dos diferenciados que tangem a boiada. 
Ainda não sei em qual delas me enquadro melhor.   







domingo, 26 de maio de 2019

quinta-feira, 23 de maio de 2019


                              
                      RESPEITEM O MORTO



Você, que diz que me amava
Mas que agora me odeia
Não espere eu morrer
Para me perdoar
Ou se arrepender.

Você, que diz que me ama
Mas não demonstra, se ausenta
Não espere eu morrer
Para retribuir, valorizar
minha presença.


Você, que me chama de meu irmão
Mas assiste de longe meu barco adernar
E nada faz
Não espere eu morrer
Para se arrepender de não estender a mão
quando mais precisava.

Porque depois que desta para melhor
eu me for (assim espero )
Dispenso lembranças inúteis 
Homenagens, pranto.
Pois nada disso fará qualquer diferença.
Ao menos uma vez, chega de hipocrisia
Respeitem o morto.









Postagem em destaque

                 o amor mais bonito Não tem choro, não tem textão. Não sinto raiva, não sinto mágoa, não sinto nada. A indiferença tomou co...