sexta-feira, 13 de janeiro de 2023


                      

                   o grande prêmio



 



Quem não sonha em ganhar na loteria, achando,

não sem razão,

que estará se habilitando a ser feliz e resolver todos

seus problemas ?

Mas não é bem assim, há motivos e exemplos de sobra

que provam o contrário.

O que poucos se dão conta é que há outras loterias

bem mais factíveis e gratificantes.

Encontrar e conviver com boas pessoas, por exemplo.

Ter alguém que se importe, que te ajude de coração,

que te ame pelo q você é.

Esse é o grande prêmio da vida.


terça-feira, 10 de janeiro de 2023


                        vai de ter sorte ou não





Quando o acaso entra em ação,

não há nada que se possa fazer.

Vai de ter sorte ou não.

Fazer as coisas certas nem sempre basta.

Muito menos o certo por linhas tortas.

O destino, se é que exista, se abstém de reconhecer

o que é certo ou errado.

Vive tanto do heroico como do falso.

Não distingue a esperança e o medo.

Se insurge entre diásporas e enigmas.

Contempla o mundo sem ira nem repouso.

"Seu leito é a vigília e seu pão é a fome", como já sabia Borges.




 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023



                       verso novo



Nesta manhã sem carências, sem assomos, assombros,

apenas plácida, de alguma forma revestida

dos mistérios que ninguém sabe

nem saberá,

a humilhação de envelhecer me espreita.


O desejo sublimado, melancólico e vertical,

investido do que era dor e conhecimento,

pulveriza o coração, devassa o verso novo,

a vontade desorbitada, as quimeras que não vingaram.


Na manhã dos homens, o rude ofício de viver

excede o desejo do não vivido,

irmanando-se

a vergonha e as lágrimas dos poetas martirizados,

incapaz de expressar

o real significado do amor, da justiça, da paz.

 






                       extraordinário e ordinário



 

Unidos e separados                                

Juntos e distantes

Certos e errados

Famintos e saciados

Felizes e angustiados

Amando e odiando

Livres e encarcerados

Humildes e vaidosos

Altivos e humilhados

Vitoriosos e derrotados

Opostos um do outro

Querendo e rejeitando

O amor extraordinário e ordinário.



 








 



Chuva e sol.

Sol e chuva.

Arco-íris e arrebol.



                         Encontrei a mulher da minha vida.

                        E ela nem me olhou. 


Folgo em saber. Nem

tudo carece de explicação.


                




                               escravos da paixão





Todos nos decepcionam. De uma maneira ou de outra,

por um motivo ou outro, mesmo os que nos são mais caros

pisam na bola, 

fazem as coisas mais ordinárias.

Há momentos em que a mulher da sua vida pode ser pior 

que uma mulher da vida. 

Na mesma lama chafurdam padres, juízes,

políticos.

Figuras públicas, celebridades, famosos de toda espécie

não são melhores que todo mundo.

No fundo e na superfície, não passam de simples mortais.

Não há como viver sem evitar pecados essenciais como orgulho,

inveja, promiscuidade. 

Somos escravos da paixão, como dizia Hume. 

A razão só existe para corroborar o que pensamos.

A impostura é modus vivendi por excelência.

A hipocrisia do cristianismo permeia as relações, sob o disfarce

do politicamente correto.

Até Deus nos decepciona, a medida em que ignora nossas

necessidades, não ouve nossas preces.

Menos mal que a decepção, a infelicidade, nos faz mais fortes.

Não é comprovado, mas consola.



















 

domingo, 8 de janeiro de 2023



                         a batalha eterna



Cumpre fazer do fim algo aceitável. 

Libertadora ou cruel, a batalha é eterna e prescinde de pompa.

Por melhor que a vida seja, todo começo tem um fim.

Assim como o fim também pode ser um recomeço.

Livre da esperança e do medo.

Em ontens e distâncias renovados.

Para apagar ou mitigar os erros.

Pregustando o sabor do que é perdido e reencontrado.

A alma lavada do esquecido.

O amor corrompido, inocente como os pássaros.




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