quinta-feira, 1 de novembro de 2018
versos
Sim, escrevo versos
Versos prosaicos, despretensiosos
Versos precários (ora, direis ?)
Versos profanos em que me entrego
Versos insanos em que me abro
Me atolo nos meandros da alma
Versos antigos, versos imprecisos
Versos amigos
Neles me remoo
Neles me desdobro
Neles me acho
Versos em que me acabo
Padeço, sofro as dores do mundo
Em que sangro, revivo
Testemunhos de tudo que vivi
Tudo que guardei
Tudo que tive, e o que pensei que tivera
Amores, dores que o tempo cura
Versos-cicatrizes
Versos-malditos
Versos-singelos
Versos-libelos
Versos-venais
Nos quais sou o que sou
Alguém que foi sem nunca ter sido
Versos, meu reverso...
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
onde tudo começa e termina
Tudo é sexo, sexo é tudo.
Onde tudo começa e tudo termina.
No começo, o desejo incontrolável e compulsivo,
tesão à flor da pele.
No fim, o desinteresse, o conformismo,
o adultério.
O poder da mulher está entre as pernas.
O poder da sedução, de fazer subalternos,
de gerar filhos.
Ao inigualável poder da vagina
os homens se curvam.
Grandes homens se apaixonam, enlouquecem.
Indefesos, vulneráveis se tornam.
De bom grado se apequenam
por favores sexuais que entorpecem,
Indefesos, vulneráveis se tornam.
De bom grado se apequenam
por favores sexuais que entorpecem,
da realidade os distrai.
Da virtude os afastam, tal qual
Eva fez com Adão
quando expulsos do Paraíso.
Ah, o sexo, sublime, inebriante.
Ao qual nos entregamos sem pensar,
sem medir as consequências.
Do paraíso à perdição, num instante.
Tudo em jogo por instantes.
Momentos de poder, submissão,
prazer e castigo lado à lado.
Sexo bom e sexo ruim,
quando expulsos do Paraíso.
Ah, o sexo, sublime, inebriante.
Ao qual nos entregamos sem pensar,
sem medir as consequências.
Do paraíso à perdição, num instante.
Tudo em jogo por instantes.
Momentos de poder, submissão,
prazer e castigo lado à lado.
Sexo bom e sexo ruim,
que tudo de bom e ruim representa e traz.
Do matrimônio à traição, se desfaz.
Mais forte que o amor.
Mais forte que a razão.
Do matrimônio à traição, se desfaz.
Mais forte que o amor.
Mais forte que a razão.
Ao instinto incontrolável atados,
"como o prisioneiro ao seu grilhão." *
*As Flores do Mal/Baudelaire.
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
o gosto das coisas
Ah, o gosto das coisas nunca experimentadas,
que gosto terão ?
O beijo nunca dado?
O beijo que nunca mais será dado,
ainda terá o mesmo gosto ?
O abraço do filho ausente
O gozo do amor que se foi
Gosto de desgosto e saudade, até quando ?
Terão as coisas vindouras o mesmo gosto
das coisas que se foram ?
E as coisas que foram, sem nunca terem sido
que gosto terão quando acontecerem ?
O mesmo gosto, o mesmo sabor terão ?
Que gosto terão os amores futuros ?
As dores e dissabores ainda doerão
como um dia doeram ?
Seja como for, nada mais me importa.
O que passou, é passado.
Há vida pela frente e o tempo urge, inclemente.
Que sobrevenha o céu ou o inferno.
Colher a fruta derradeira antes que apodreça.
Que a velhice chegue
e as doenças e a decrepitude tudo roubem.
Levando o gosto de todas as coisas
Vivenciadas ou não.
Assim, quando de tudo eu me tornar ausente
E tudo chegar a seu termo
Possa, sem remorso e rancor,
Saborear o gosto álacre de tudo que vivi.
respostas
o desgosto de viver sem ti,
sofro ainda mais por saber
que de mim já esquecestes.
Que de mim não quer saber,
nem por perto quer me ver.
Fico pensando no que tens feito.
O que te fez mudar tanto.
O que fez com as lembranças de nós dois,
para mim inesquecíveis.
A ferro e fogo marcados em minh´alma.
Ciente de que não têm mais volta,
que tudo acabou definitivamente,
uma resposta, o por quê,
é só o que eu precisava saber.
Por caridade, para aliviar minha culpa.
Com requintes de crueldade,
se há outro na história...
domingo, 28 de outubro de 2018
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
a segunda chance
Sob o espectro difuso da verdade, transigimos.
Bem ou mal, à realidade nua e crua nos adequamos.
Para não capitular, indiferentemente à valores
e princípios.
Valores e princípios nem sempre edificantes,
quando se trata de sobrevivência,
de fazer valer a vontade, os desejos secretos.
Na ordem natural das coisas, a lei do mais forte prevalece.
Sob os mais diversos métodos e artifícios.
Contra a força, a astúcia.
A força do homem, a astúcia da mulher.
Quem a presa, o predador ?
(Ela me disse que, enquanto eu estava indo,
ela já tinha ido e voltado três vezes...
Quantas coisas omitidas, ardilosamente
escamoteadas, aí embutidas ?)
Sutil teia de aranha em que nos enredamos...
Não há inocência na vida adulta.
Na impermanência das coisas, o destino
molda nosso caminho.
O que se ganha aqui, perde-se ali.
Sem rumo, sem prumo frequentemente nos vemos.
No desdobramento do amor, cedo ou tarde
padecemos, quebramos a cara.
Não raro, sucumbimos.
Nada nos redime.
Nada apaga os malfeitos, os danos causados.
Perdão foi feito para pedir, mas os remendos
nem sempre surtem efeito.
O que está feito, não tem volta.
E quando se tem uma segunda chance, nunca
é a mesma coisa.
Amor só é amor - e como tal sobrevive -
quando ambos reconhecem que são imperfeitos.
Que todos erram e tem sua parcela de culpa.
É só o que permite juntar os cacos e seguir em frente.
É o que impede que a tal segunda chance
não seja apenas um mero e triste epílogo.
Por mais bela que tenha sido a história..
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