por um fim plausível
Minha dor surda
paira sobre as coisas imundas.
Afeto e tédio, perfeita mistura reinventada
do meu desconsolo sem dolo.
Amor insaciável verdeja entre abóboras, pepinos.
O que seria da vida sem encher a cara ?
Agreste inocência poreja recatos e delicadezas.
Convenhamos, a magia é amarrada num belo porte.
Mas os feios também amam.
Às vezes, melhor que todo mundo.
Sob galhofas e galhardias.
Amor dispensa isometria.
Isenção não existe.
Nobreza, eventualmente.
Amor de pobre é diferente do de rico.
Questão de simetria.
Fidelidade não se impõe.
Aprendi com meu filho de 15 anos.
Impressionante o que não sei.
Do amor, principalmente.
Ser romântico virou piegas.
Como não gostar de boleros ?
Minha vida estagnou ao pé de transas empíricas.
Confusos enredos oníricos sabotam o coração barroco.
Minha grandeza está de luto, quem mandou ela me sacanear ?
Defuntos habitam meus rios mortos.
Mãos cheias de vazios solapam enluarados pomares.
Segredos não valem nada.
Não há convivência sadia.
Uns sempre querem foder com os outros.
Seremos para sempre felizes, descuidados e frágeis ?
Pecadores e pescadores comprovam o vazio da existência.
Money, é só o que importa, viu, velho ?
Vazio é uma palavra muito forte.
Eu aqui, ela lá, é quando tudo se ajusta.
A recíproca é verdadeira, quando de interesses mútuos.
Quietas varandas bafejam obscuras esperas.
Florações efêmeras despertam revelações cruentas.
Já não espero por nada que não seja plausível.
Um fim que não seja a morte, por exemplo.