VERGONHOSO E ULTRAJANTE
Admiro os que conseguem levar tudo numa boa, sem perder as estribeiras, civilizadamente, mas, por outro lado, me pergunto se não é por causa dessa famosa leniência, subserviência e cumplicidade com o tal status quo delituoso escancarado pela operação Lava-Jato, que as coisas não atam nem desatam, e indo de mal a pior em nosso sofrido país.
Crescemos num ambiente sabidamente machista, de desigualdade, truculência e discriminatório no âmbito social, com o agravante de permeado pela conivência, passividade e conformismo em relação aos direitos civis e constitucionais. Mais especificamente, em relação aos delitos e ilicitudes praticados por agentes públicos eleitos e nomeados para lidar e zelar pela coisa pública.
Funções que costumam ser não só desvirtuadas como criminosamente burladas, sem que a sociedade se manifeste e se imponha com a devida veemência e contundência. E não só em relação aos casos mais escabrosos, e cuja recorrência chega a dar náuseas, mesmo transgressões mais simples e corriqueiras, no exercício da cidadania, são comumente engolidas e digeridas sem maiores consequências para os responsáveis. Panorama que às duras penas a PF, o MPF e sobretudo, a chamada República de Curitiba, vem tentando mudar.
É nesse chove-e-não-molha que nos encontramos, esperando por duas melhores que nunca chegam, ou chegam com muito vagar, posto que Moro é um só, e o bombardeio a Lava-Jato é forte e intermitente. Ungidos e protegidos por leis de exceção, os parasitas e rufiões continuam a desafiar o senso comum, e simples manifestações de apoio e incentivo nas redes sociais não são suficientes para reverter esse quadro.
Urge, pois, que a sociedade acorde e reaja à altura a esbórnia em que o país se encontra, na qual o descalabro que se abate sobre o Rio de Janeiro é o exemplo mais vergonhoso e ultrajante. Nesse sentido, não deixa de ser emblemático que o mais famoso cartão postal do país tenha se transformado no símbolo da rapinagem e da degradação político-governamental que proliferou sob a égide petista.
Partido que teima em desafiar a sociedade com seu discurso peçonhento e nauseabundo, em que o tom beligerante volta a ser a tônica e a desesperada cartada de Lula e seus asseclas para retomar o poder. Perspectiva tão absurda e tenebrosa que equivale a oficializar a roubalheira e bandidagem como lema do país.
quarta-feira, 19 de julho de 2017
MEU AVESSO
Longe de ser perfeito
Pareço ainda mais imperfeito
Agora que me vês do avesso.
Agora que os defeitos insuspeitos
Parecem mais graves e intoleráveis
Longe de ser perfeito
Já não disponho dos velhos trunfos
Do encantamento do passado
Potencializados pela paixão.
Agora que me vês tal qual eu sou
Ou crês que eu seja
Despido de encantos e virtudes
Desprovido de charme e apelos
E já não podendo me reinventar
Desacreditado como estou
Tudo que me resta é esperar que entendas
E me estendas a mão
Para recomeçar.
Para reconstruir o que o tempo vem dilapidando
Lenta e inexoravelmente.
Se já não for tarde demais...
O FILHO PRÓDIGO
Não se apegue a quem tem coração de pedra.
Não se prenda a quem te renega.
Não sofra por quem não merece.
Não chore por quem te ignora.
Não se doa por quem não te dá valor.
Não perca tempo com quem não vale a pena.
Não acredite em quem não inspira confiança.
Não ponha fé em quem te apunhala pelas costas.
Que só te faz sofrer.
Não perca mais tempo em esperar
que o bom filho a casa torne,
se bons filhos não tens.
Muito menos pródigos.
Não se prenda a quem te renega.
Não sofra por quem não merece.
Não chore por quem te ignora.
Não se doa por quem não te dá valor.
Não perca tempo com quem não vale a pena.
Não acredite em quem não inspira confiança.
Não ponha fé em quem te apunhala pelas costas.
Que só te faz sofrer.
Não perca mais tempo em esperar
que o bom filho a casa torne,
se bons filhos não tens.
Muito menos pródigos.
terça-feira, 18 de julho de 2017
FOGO FÁTUO
Primeiro é o arrebatamento
Depois a admiração
Que se vão pelo ralo
E em cujas águas a paixão se dilui
O amor se afoga
E o tesão que é bom, arrefece
E tudo esmaece, como fogo fátuo
Só restando, quando muito
Amizade e companheirismo
Sem o quê nem o respeito sobrevive.
Como um navio que deixa o porto
E desaparece lentamente no horizonte
Assim é o amor...
Depois a admiração
Que se vão pelo ralo
E em cujas águas a paixão se dilui
O amor se afoga
E o tesão que é bom, arrefece
E tudo esmaece, como fogo fátuo
Só restando, quando muito
Amizade e companheirismo
Sem o quê nem o respeito sobrevive.
Como um navio que deixa o porto
E desaparece lentamente no horizonte
Assim é o amor...
domingo, 16 de julho de 2017
CARTA ABERTA A UM CRÁPULA
Prezado sr Luis Inácio Lula da Silva :
Que o sr não tem a menor vergonha na cara, o país inteiro está cansado de saber. Que o sr não tem qualquer escrúpulo e não passa de um farsante, mentiroso e vigarista de marca maior, idem, idem.
Daí a pergunta que ouso lhe fazer ? Já não basta de empulhação, de posar de vítima depois de tudo que já veio à público, depois do que seu partido repleto de ladrões causou ao país ?
Já não chega de iludir os pobres com esse discursinho demagógico e oportunista, que só serve para acobertar a ganância e a sede de poder que sempre o motivou ?
Já não basta de prometer o que não pode cumprir, de incitar sua malta de seguidores a tumultuar e impedir a volta do país à normalidade? O que passa pelas reformas que seu nefasto partido tenta, de todas as formas, sabotar e impedir. Tudo porque, se encetadas e bem sucedidas, sepultarão de vez as pretensões e planos de retomar o poder.
Seria pedir muito que mostre um mínimo de dignidade e decência, se é que um dias as teve, e pare de prejudicar ainda mais o país que o senhor e seu infame partido saquearam tão sequiosa e vergonhosamente ?
Mesmo porque, se não o fizer de livre e espontânea vontade, seus dias de liberdade estão irremediavelmente contados, pois em que pese a esperada resistência e campanha difamatória contra Moro e a heroica Lava-Jato, a trinca de juízes do TRJ 4 já deu demonstrações cabais de comungar da mesma linha dura aclamada como um verdadeiro divisor de águas no desacreditado Judiciário brasileiro.
Melhor seria, portanto, que ao invés de continuar botando lenha na fogueira, fizesse justamente o contrário, ou seja, evitar bravatas e provocações que só encontram eco em sua doutrinada claque.
Mais sábio ainda, aliás, seria tentar negociar algum tipo de acordo no sentido de amenizar sua pena e o vexame de ser o primeiro ex-presidente de nossa republiqueta a ir para o xilindró.
Pense nisso, e não seja burro de continuar achando que sairá impune depois de tudo que aprontou.
PT saudações
Ivan Berger
sábado, 8 de julho de 2017
à deriva
As lembranças são para mim como aves de arribação,
que de repente voam para bem longe.
Sei que estão lá, em paisagens que o tempo
recobre de melancolia.
Intactas, pairam como um mundo a parte que transcende
o esquecimento e arrefece os sentimentos.
Do alto de meu voluntário desterro, tremula
Do alto de meu voluntário desterro, tremula
minha puída bandeira de apátrida.
Não sei o que me espera, não sei o que esperar
agora que meu barco zarpou,
deixando uma vida inteira para trás.
Nada levo na bagagem, a não ser o peso dos meus atos
agora que meu barco zarpou,
deixando uma vida inteira para trás.
Nada levo na bagagem, a não ser o peso dos meus atos
e a certeza de que, bem ou mal,
fiz o que deveria ter feito.
Há muito tempo.
SET/ 2000
Há muito tempo.
SET/ 2000
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