sinopse
Calmaria.
Saudades da Maria.
Passou na minha vida
Feito uma ventania.
Tristeza
dispensa
destreza.
Certezas.
Há que conhecer
suas sutilezas.
Feliz é o beija-flor.
Íntimo de todas as flores.
Do amor já fui escravo
Hoje sou feitor.
pelo resto da tua vida
( ou a lei bruta da Natureza)
Aí você põe um filho no mundo.
Sem noção do tamanho da responsabilidade que está assumindo.
Da encrenca em que está se metendo.
Sem fazer ideia das mudanças que estão por vir,
passado aquele instante mágico, único, inigualável,
de ter dado a luz aquele pequeno ser,
saído de suas entranhas,
um pedaço de você.
Um ser que veio para te preencher, mas também
para sugar toda tua energia,
exigir toda a tua atenção,
de modo a tornar todo o resto secundário.
Pelo resto da tua vida.
Inclusive em relação ao distinto progenitor, na verdade
aquele que mais perde, por se ver naturalmente preterido,
relegado a segundo plano.
Tal qual prescrevem as leis brutas da Natureza.
Sim, por filhos no mundo é a coisa mais fácil,
tanto que muitos deles sequer são desejados,
nascem acidentalmente, à contragosto,
sem planejamento, respaldo.
Como esperar que tenham uma vida normal ?
Que sejam normais ?
"Crescei e multiplicai-vos", teria sido a ordem do Criador,
cumprida à risca por uma humanidade
que prolifera feito barata.
Prolifera à revelia.
Prolifera por proliferar.
Criar é que são "elas".
Reunir as condições necessárias.
Como esperar por um mundo melhor
se a grande maioria
nem criar os filhos
direito
consegue ?
2.
Aí você põe um filho no mundo.
E você é daquelas que leva a missão à sério.
Afinal, é a realização de um sonho, lutou para isso,
custou a engravidar, fez tratamento,
como não se empenhar de corpo e alma para que
aquela criaturinha tenha do bom e do melhor ?
Só que não é tão simples assim.
Nem todo amor, empenho, dedicação, é garantia de nada.
Você deveria saber que filho não é para sempre.
Que lá pelas tantas, a bruta lei da natureza fala mais alto.
E seu filhote começa a desgarrar. Já não aceita ordens
passivamente, reage mal às cobranças,
dá sinais de rebeldia, e um belo dia, mal saído dos cueiros,
lasca na sua cara que não vê a hora de sair de casa.
Que é quando você se questiona, onde foi que eu errei ?
Você que tudo fez, negligenciou o próprio marido, companheiro,
viu a relação naufragar, o corpo mudar, até doente ficou,
para, no fim, ouvir daquela criaturinha amada
que seus cuidados já não são necessários, muito menos
indispensáveis, foda, né ?
3.
Aí você põe um filho no mundo.
Não sabe nem quem é o pai. Tentou abortar, mas quando
descobriu já era tarde.
Teve que aceitar na marra. Pensou em dar para adoção,
mas faltou coragem.
Conhece muito bem esse sentimento, de rejeição,
não saber quem são os pais.
E trata de fazer o que lhe está ao alcance.
Algo que dentro das parcas condições que desfruta,
está longe de suprir as necessidades daquela criança.
Daquele adolescente. Que logo vai para a rua,
onde experimenta de tudo,
aprende da pior maneira, para se tornar alguém
que a própria mãe desconhece.
4.
E aí você põe um filho no mundo.
Para saber como é.
os inimigos
Os inimigos estão por toda parte. Criminosos, psicopatas,
golpistas, ressentidos, a fauna é grande.
Cruzamos com eles a toda hora, em todos os lugares.
Até os mais improváveis. Às vezes na própria cama.
São criativos em seus disfarces. São exímios atores.
Podem ser afáveis, aparentemente normais,
inofensivos.
Mas não se iludam, são como feras enjauladas, bestas
empanzinadas.
Traiçoeiros como cobras peçonhentas.
Filhos dos dias de sombras coaguladas,
caminham sem rumo nos asilos da alma.
Sujos e denegridos, chafurdam em seus próprios
estreitos labirintos.
Ferem como o mundo fere as feras.
Crânios carcomidos por vermes que matam a pureza,a paz, a liberdade.
Matam o Homem,
a si próprios,
ao deixarem de ser humanos.
À imagem e semelhança do Criador.
a mãe de todas as dores
De repente, o luto.
O luto que a tudo transcende.
Às tolas prevenções.
Às escolhas equivocadas.
Aos mal-entendidos.
Aos rancores, os passos erradios.
Luto que tripudia do orgulho besta.
Que reduz tudo à cinzas.
O luto é o soco no estômago.
O despertar tardio.
O vazio diante do despenhadeiro.
É o mundo do avesso.
É o avesso do avesso.
O exílio forçado.
É o medo que enclausura
a banda podre do tempo.
O luto é a mãe de todas as dores.
Luto por um filho, pelos pais, pelo país
permanentemente enlutado.
Luto por aqueles que nunca mais veremos.
Pelo que nunca mais teremos.
O que pode ser mais terrível ?
Saber que nada será como antes.
Luto, luta que nunca acaba.
Luta para esquecer, para superar, seguir em frente.
Para quê ?
Descubra você !
peixes cegos
A maldição de Sísifo nos persegue.
Nada podemos reter. Nada é nosso, tudo é transitório,
ilusório.
Mesmo os afetos são como peixes cegos que nadam
em círculos,
marchetados de corrompidas arquiteturas.
Há que sopesar a vida. Não ter medo de abraçar
o inimigo.
Abster-se das infâmias, traições, egoísmos.
As altas torres do exausto coração um dia desmoronam,
em desocupados e cotidianos roteiros que zombam da morte.
Longos braços afeitos a adeuses
acolhem a solidão que é de todos.
A fé em ruínas, refeita na dor peregrina,
lava o tempo terminal.
Vivemos para enterrar nossos mortos.
Até que a maldição acabe.
No descanso eterno.
benditas sejam as dores que humanizam.
Todas as coisas são mais reais banhadas
em velhos sais de sofrimento e melancolias.
Dor e privações humanizam.
Benditas sejam, pois, não obstante indesejadas.
Mesmo as mais insuportáveis, de roteiros abandonados.
Desde que indeferida a eternidade,
arrastamos nossos corpos entre adversidades
que engrandecem.
À espreita do reinado da treva e do caos interior.
Morte e renascimento andam lado à lado.
Onde há destruição, abrem-se novos caminhos.
No ciclo inexorável das coisas, louvada seja a luta sem glória.
O poder das frustrações cotidianas.
Lições que não ensinam na escola.
Que cada um aprende à sua maneira.
No amor ou na dor.
o amor que te coube matar
Vejo-te agora como se fora outra.
Bela e frágil como uma flor que quebra na haste.
Andamos tão longe e nos separamos.
Dispersos na distância em que tudo é saudade,
Vimos morrer o amor que te coube matar.
Já nada me pesa.
Nem teu coração de pedra.
Cujos segredos,
hoje, despetalados,
nosso amor profanaram.
Forte e frágil 00:00 / 04:49 Download Compartilhar Mudar Vocal Ferramentas Criar Vídeo Clipe! Masterizar V1 Criado p...