o teatro da vida
Nas cidades de aço e concreto,
em que ruas e praças são palco de atores itinerantes,
os dias passam crivados
de dúvidas e súplicas.
No teatro da vida encena-se de tudo.
Todos fantoches sem rosto nem identidade.
Puxados por fios invisíveis que cortejam o inexistente.
Cortinas abrem e fecham em sessão permanente.
Atores e tramas se sucedem para que o show
possa continuar.
Decorando falas, seguindo roteiros sem ensaio.
Cada um com seu figurino, inventando um destino.
Todo mundo conectado e ninguém dá a mão.
Na cidade de aço e concreto, tem wi-fi em cada esquina,
mas falta conexão.
Cinco mil amigos online e ninguém para carregar o caixão.
